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ANGOLANOS E ANGOLANISTAS

Fonte: Revista Lusofonia, Ano X, no. 40, pp. 10-12

A trabalhar pela aproximação entre o Brasil e Angola, o professor Zakeu Zengo acredita que o povo brasileiro está entre os países que mais desconhecem a realidade angolana

O senhor foi responsável e coordenou o I Encontro de Quadros Angolanos e Angolanistas no Brasil, ocorrido entre os dias 31 de Agosto a 3 de Setembro último. Passados seis meses do encontro, qual a leitura que faz do evento? Qual o saldo? Os objectivos foram alcançados?

Surpreendentemente o I Fórum de Quadros Angolanos e Angolanistas no Brasil revelou-se ter sido um dos maiores acontecimentos sobre Angola no Brasil. Seus objetivos e o alto nível de debates levou um dos participantes a interpretar o sentimento reinante no evento dizendo que o Fórum estava a ser a semana da arte moderna de Angola no Brasil. Passados seis meses, o I Fórum dos angolanistas continua sendo o acontecimento positivo sobre Angola no Brasil mais comentado. Mensagens chegam todas as semanas perguntando pela segunda edição desse Congresso, ou dando sugestões sobre ela. O saldo positivo do I Fórum provoca hoje uma grande espectativa e impaciência entre os quadros angolanos sobre o II Fórum. Tanto pelos seus objetivos e pretensões, quanto pelo nível de discussões e representatividade, o I Fórum de Angolanistas despertou nos participantes um profundo interesse e desejo por acontecimentos do gênero, no Brasil e em Angola. Naturalmente, os objetivos que levaram a realização desse evento ainda não foram de tudo garantidos. Há um plano de desdobramentos ainda sendo executado. Por exemplo, será brevemente lançado um livro com todas as conferências e algumas comunicações selecionadas pelo comissão científica do Fórum. A meta é distribuir esse livro para os governantes angolanos e disponibilizá-lo ao alcance dos estudantes e pesquisadores angolanos e estrangeiros, principalmente em Angola. 

Quais serão os desdobramentos desta iniciativa neste ano? 

O lançamento do livro é um dos seus desdobramentos mais esperados para o primeiro semestre deste ano. Em virtude das eleições no Brasil para este ano, e das eleições que eram esperadas para este ano também em Angola (agora descartadas pelo presidente), além da Copa Mundial de Futebol e do IX Congresso Luso-Brasileiro de Ciências Sociais, que este ano será realizado em Luanda no final de mês de Novembro, julgamos inicialmente que haveria uma dificuldade natural em garantirmos a segunda edição do Fórum em 2006 como a comunidade pede. Entretanto, com o crescente interesse manifestado pelo público, consultas estão sendo feitas para determinar o grau de desejo com que as pessoas desejam já o II Fórum para este ano. De todo o modo, trata-se apenas de uma consulta, já que o consenso que deu origem ao projeto do Fórum definiu a realização de cada uma de suas reedições internacionais em intervalos de dois anos, intercalado por eventuais simpósios regionais no Brasil e em Angola. Estamos entendendo, por exemplo, que o IX Congresso Luso-Brasileiro referido criará condições e dará substrato à concepção e realização do II Fórum de Angolanistas. 

Na prática, como funciona o Fórum Permanente de Quadros Angolanos e Angolanistas? 

2006 será o ano da consolidação da estrutura organizativa e das políticas de ação do Fórum Permanente de Quadros Angolanos e Angolanistas. A meta dos idealizadores é a consolidação do sentido participativo, representativo e descentralizado do Fórum, abrindo amplo espaço para a contribuição de todos os quadros e cientistas angolanos e brasileiros que são, por definição, angolanistas. Atualmente o Fórum é coordenado pelos responsáveis pela iniciativa e integra já dezoito membros efetivos que solicitaram sua associação por competência. Inscrever-se, através de formulário próprio disponível no site (www.angolanistas.org), é a condição que garante ao interessado a participação privilegiada na estrutura oficial que preside os destinos, as realizações e os objetivos do Fórum de Angolanistas. Uma de suas metas é constituir núcleos de pesquisa e debate permanente em diferentes regiões do Brasil, orientados e encabeçados pelos seus membros associados. Outro aspecto importante do funcionamento do Fórum Permanente é o de ele tornar-se num dos principais órgãos de pesquisa intermediador das relações de intercâmbio entre as universidades brasileiras e angolanas. Estamos trabalhando para ampliar e consolidar esta pauta de ações, com vistas a assessorar as universidades angolanas na captação de professores e profissionais do ensino no Brasil para suprir sua demanda por professores visitantes e temporários. Os estudiosos brasileiros e angolanos interessados nesse intercâmbio têm a disposição um formulário de cadastro no site do Fórum. 

E a Carta do Rio, documento que resultaria do I Fórum de Quadros Angolanos e Angolanistas, assim como a publicação de uma revista científica, são iniciativas já colocadas em prática? 

Sim. O Fórum de Angolanistas quer afirmar-se como um amplo e bem consolidado espaço de difusão e intercâmbio cultural, e também como órgão que promove a pesquisa e o conhecimento sobre Angola. Neste sentido, a publicação do livro com as conferências do congresso se constituirá também em um evento de lançamento de um selo editorial próprio, que passará a publicar uma revista científica, em edições semestrais, uma série de cadernos temáticos que discutirão os principais problemas e temas relacionados com a cultura, sociedade, política e economia angolanas, escritos por especialistas e estudiosos sobre Angola, além de livros que recuperarão as monografias, dissertações, teses e demais pesquisas produzidas e em produção sobre Angola no Brasil, para serem disponibilizados aos estudantes e pesquisadores. Obviamente estes projetos dependem ainda de recursos e financiamentos, uma empresa em que nos engajamos com determinação patriótica. Já com relação à “Carta do Rio”, a comissão organizadora preparou uma Declaração que substitui a idéia original de um documento propositivo dirigido ao povo e as autoridades angolanas. Esta Declaração, que reflete o espírito das discussões promovidas no Fórum e as preocupações manifestadas pelos participantes, constará como apêndice no livro referido. Apenas depois desta forma de divulgação ela será separadamente publicizada através de diversos outros meios de comunicação e interação com a população. Desta forma, no plano das discussões que envolvem o tema de Angola dentro e fora do Brasil, ainda teremos um 2006 permeado com as idéias debatidas e difundidas no I Fórum. 

As instituições e empresas envolvidas na realização do I Encontro de Quadros Angolanos e Angolanistas manifestaram desejo de apoiar a continuidade deste trabalho? 

Não só manifestaram esse desejo, como também algumas desejam mesmo ser parceiras dos esforços que deram nascimento a esta iniciativa no Brasil. É o caso, particularmente, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, através de seus programas de pesquisa, especialmente o Pró-Afro (Programa de Estudos e Debates dos Povos Africanos e Afro-Americanos), cuja diretoria atual tem trabalhado intensamente no sentido de aprofundar na universidade suas ações de promover o conhecimento sobre a atualidade dos países africanos no Brasil. Outro gesto de encorajamento importante neste sentido veio do Consulado Geral de Angola, quando o seu Cônsul, o Embaixador Ismael Diogo da Silva, enviou-me uma mensagem declarando sua satisfação com o Fórum e prometendo todo o apoio nas futuras ações em torno das preocupações sobre a paz, o progresso e o desenvolvimento de Angola. Apesar da lista extensa de empresas e organizações que figuraram a lista de apoios, é importante que se sublinhe que o apoio dispensado ao I Fórum restringiu-se exclusivamente no domínio de apoio institucional, uma vez que apenas 23% do custo financeiro do evento veio desse setor, mais exatamente de apenas duas empresas estrangeiras (setor petrolífero e telefonia) e uma instituição (angolana). Estamos esperando por mais sensibilidade social, menos dependência política e menos desconfiança das empresas angolanas e brasileiras para apoiarem a segunda edição desse Fórum, que se transformou num acontecimento importantíssimo sobre Angola. 

E por que isso aconteceu? Como foram pagas as despesas dos evento? 

O Fórum foi realizado totalmente sem a disponibilização, pelas empresas e organizações que assinaram o apoio, dos recursos previstos no seu orçamento. Outras responderam negativamente, apesar da grande campanha de arrecadação conduzida pela comissão organizadora e pela UERJ. Como conseqüência, mais de 70% dos estudantes angolanos inscritos em todo o Brasil não atenderam ao Fórum, porque dependiam dos recursos do evento para a inscrição, viagem e hospedagem no Rio. O que soubemos é que decisões de natureza financeira das empresas angolanas e das empresas brasileiras com capital em Angola são tomadas por meio de acordos políticos firmados com os órgãos angolanos de decisão, enquanto estes decidem sempre de acordo com interesses e manobras de autopromoção. A ser verdade, cabe aqui uma palavra de encorajamento aos angolanos de boa vontade, aqueles que acreditam nesse país e na sua gente, para que aproveitem esse momento importante de reconstrução e lutem por promover iniciativas em favor de Angola com ou sem o dinheiro desses círculos. Não sendo possível esperar do governo, sozinho, resolver todos os problemas que o país herdou do seu triste passado, não podemos deixar o capital controlado nos deter de modo nenhum em nosso compromisso de promover o progresso e desenvolvimento de Angola. Quando ficou evidente, apenas três semanas antes do evento, que os recursos não viriam para o evento, a comissão organizadora e a Universidade tomou a corajosa decisão de realizar o Fórum apenas com o dinheiro das inscrições e algumas permutas com expositores. Só depois do evento o patrocinador oficial nos ajudou a pagar as dívidas resultadas dessa ousadia. 

Como nasceu a idéia do encontro? 

De duas constatações reais que envolvem a realidade angolana dentro e fora do Brasil. Primeiro, apesar do grande enraizamento da África no Brasil, e de Angola particularmente, o povo brasileiro está entre os países que mais desconhecem a realidade angolana. Para remediar isso, muitas iniciativas particulares lutam por superar esta situação através de eventos e acontecimentos periféricos em muitos lugares do Brasil. O Brasil foi o primeiro país, na era de Ernesto Geisel, a reconhecer a independência de Angola, em 1975. Nesse I Fórum foi possível notar que até a própria comunidade angolana, entre os quais estudantes e pesquisadores em geral, não possui conhecimento corrente e confiável sobre o próprio país. A mídia brasileira sabe falar de Angola apenas sobre os problemas da guerra e suas atuais conseqüências catastróficas naquele país. De todas as entrevistas que concedi a emissoras de rádio e televisão brasileiras em 2005, nenhum jornalista ou repórter sabia que a taxa de crescimento real do PIB angolano saltou da ordem de 15,5% em 2004 para 22,5% em 2005. Somando a isso a falta de publicações no Brasil que retratem a história, a vida e a realidade evolutiva de Angola, a conseqüência disso tem sido que até os estudantes e pesquisadores acabam se debruçando sobre assuntos de um país ainda obscuro. 

A segunda constatação é o recente despertamento da academia brasileira para criar e aprofundar espaços para a discussão de temas e desenvolver pesquisas voltados para o continente africano. Na década de 1980 e primeira metade de 1990 produziu-se um número considerável de monografias, dissertações e teses sobre Angola nas universidades brasileiras. Grande parte dos autores dessas pesquisas, e que se tornaram depois professores universitários, foi abandonando o interesse por Angola e concentrando seus estudos em outros temas dentro de suas áreas de conhecimento, justamente num momento em que a ínfima reserva de conhecimentos intelectuais e científicos de Angola mais precisava da contribuição deles. A única exceção ocorreu no campo das Literaturas, talvez pelo fato de Angola publicar apenas textos literários como sua produção intelectual de ponta. Até aqui um bom número de universidades públicas brasileiras mantém fortes programas especializados em Literaturas Africanas, com uma forte presença da literatura angolana. Mas no geral, e à diferença de países como França, Inglaterra, Holanda, Suíça, Canadá e Estados Unidos, que reúnem grandes centros especializados sobre a África em suas universidades, o Brasil continua ainda distante de Angola e da África nesse domínio. Mas surpreendentemente a virada do milênio coincidiu com o aumento de estudantes angolanos nos programas de pós-graduação das universidades brasileiras, com pesquisas inteiramente voltadas ao estudo dos problemas angolanos. Isto tem provocado, graças a Deus, um novo interesse da academia brasileira por Angola. 

O Fórum de Quadros Angolanos e Angolanistas nasceu justamente com o objetivo de trabalhar para aprofundar e ampliar esta tendência, para trabalhar no sentido de ampliar o espaço de convergência, de intercâmbio e de discussões entre os estudantes angolanos e brasileiros, e entre os angolanistas em geral, e de incentivar a pesquisa aplicada aos problemas e necessidades de Angola. Como disse, um pequeno grupo de estudantes e professores angolanos e brasileiros lançou essa idéia, de cujas discussões nasceu o projeto e a iniciativa que levou a Universidade do Estado do Rio de Janeiro a promover o I Fórum.  

Na sua opinião, tem aumentado o interesse no Brasil pela realidade africana e, mais especificamente, por Angola? Se a resposta for positiva, a que factores você relaciona este aumento?

Tem aumentado e muito este interesse. Vou justificar minha resposta pressupondo algumas coisas que já disse antes. De fato, não é só o interesse do Brasil que tem crescido pela África. A África é conhecida fora dela como um conjunto de pequenos barris de pólvora, aos quais muitos ditadores e seus inimigos locais brincam de jogar fogo o tempo todo, explodindo sua terra e mutilando inescrupulosamente suas gentes com prazer e requinte selvagens contínuos. A qualidade e o forte colorido da miséria e caos em que se encontram os povos desse continente sempre foram mais fortes que o brilho de suas gentes e suas riquezas naturais. Até por causa disso, os negros fora da África exibem uma irremediável vergonha de identificar-se com suas origens distantes. Dos 160 milhões de brasileiros, apenas os negros não sabem precisar e nem desejam identificar suas origens africanas. Acontece que os tempos têm mudado, e muitos ditadores e senhores da guerra em África estão morrendo de doença natural, ou sendo apeados do poder pelos ventos de democracia impostos pela globalização econômica; muitos outros estão sendo julgados e jogados no esquecimento e ostracismo. Enquanto falo aqui contigo, o ex-ditador da Libéria Charles Taylor está refugiado na Nigéria, de onde os liberarianos buscam sua extradição para apresentá-lo à corte internacional onde será julgado por crimes de guerra e corrupção. Ficou no poder 14 anos e hoje não consegue evitar enfrentar o furor do seu próprio povo que está muito interessado em sua desgraça, como justo preço por tudo o que fez contra o país. Antigos grupos de guerrilha estão livremente se transformando em partidos políticos em muitos países africanos, tornando a guerra fratricida um acontecimento cada vez distante no passado do continente. Esta nova fase na história da África está, evidentemente, abrindo espaço para que as economias dos países africanos floresçam e para que a cobiça capitalista pelas riquezas do solo africano aumentem.

Para você ter idéia, Angola deverá crescer 27.9% em 2006. Por esta razão nenhum país forte economicamente quer os seus capitalistas locais fora das oportunidades de investimentos que oferece. Portugal, por exemplo, está transferindo para Angola todos os seus ázes do poder econômico, e um de seus bancos mais importantes, o Banco Espírito Santo, que tem negócios em muitos países e paraísos econômicos do mundo, faturou em Angola 12.3% do total dos seus lucros de 2005. A poderosa China, com todo esse seu boom econômico que está deixando nervoso os EUA, decidiu ampliar seus interesses em Angola e hoje é o segundo maior comprador de petróleo de Angola depois dos EUA, além de estar lutando para dominar os negócios nos setores de construção, mineração e comércio de produtos.

A política do governo Lula sobre Angola cumpre claramente duas funções similares: o desejo desse governo em premiar a proximidade histórica entre os dois países, com claros gestos que incentivam a cooperação multisetorial, e a necessidade de aumentar os interesses brasileiros pelas oportunidades econômicas que a Angola pós-guerra oferece. Nada mais acertado, uma vez que nenhum outro país supera o Brasil como parceiro de negócios, especialmente no setor informal, com movimentações financeiras que devem estar aí a ultrapassar a casa de 7 milhões de dólares ao ano, multiplicável por muitas dezenas se incluirmos os negócios formais. O que acho surpreendentemente é que, mesmo com esta ligação quase visceral entre o povo brasileiro e angolano, e entre as economias informais dos dois países, ainda não se conta ainda entre os grandes investidores em Angola empresas ou grupos brasileiros. A meu ver, o governo Lula está tentando abrir o apetite econômico dos investidores brasileiros, e estes ainda continuam receosos e cautelosos quanto a segurança de investir num país que se parece muito com o Brasil. Mas não há dúvida que entre os diversos fatores dessa proximidade, esses são de particular importância neste momento.

O senhor tem contacto com estudantes angolanos no Brasil? E com outros professores angolanos? Quais as principais áreas de interesse que trazem estudantes angolanos ao Brasil?

Meu contato com estudantes angolanos intensificou-se muito nestes últimos anos por causa deste projeto de angolanistas que coordeno. O Fórum Permanente de Quadros Angolanos e Angolanistas tem hoje um banco de dados que me permite trocar informações e comunicar virtualmente com a grande maioria dos estudantes angolanos no Brasil. O mesmo é verdadeiro quanto aos professores. Temos privilegiados contatos com professores angolanos no Brasil, em Angola e outros países. A rigor, não há uma área ou um conjunto específico de áreas do conhecimento que mais trazem estudantes ao Brasil. À diferença de alguns anos atrás, quando a maioria freqüentava cursos de ciências humanas, a procura é maior hoje dos cursos nas áreas técnica (engenharias), jurídica e médica. Registra-se nos últimos anos também o aumento de estudantes nos cursos de agronomia, engenharias químicas e tecnologias da informação. Trata-se de uma natural resposta a demanda desse tipo de profissionais em Angola. Aliás, o percentual de estudantes angolanos que participaram no I Fórum foi maior nestas últimas áreas de conhecimento.

Os membros do Fórum são brasileiros e angolanos? Qual a percentagem de uma e de outra nacionalidade?

Até este momento há um perfeito equilíbrio na composição dos membros do Fórum Permanente de Angolanistas. Como a adesão à membresia é livre e feita através de um formulário disponível no site do Fórum, é possível que venha a se registrar um desequilíbrio natural com relação à distribuição por nacionalidade. Contudo, é fato que até este momento a maioria dos angolanistas arrolados, isto é, verdadeiros especialistas sobre Angola, ainda é de acadêmicos brasileiros.

DETALHES

Nome completo: Zakeu A. Zengo

Profissão: Professor Universitário

Formação: Antropologia Social do Desenvolvimento e Filosofia Política

Nacionalidade: Angolana

Tempo de residência no Brasil: 18 anos 

 

 

 

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