|
BREVE APRESENTAÇÃO DO CENTRO
DE DOCUMENTAÇÃO
O
Centro de Documentação, único no seu género, marca em definitivo a
identidade do CIDAC, na medida em que constituiu a sua primeira razão de ser e
a sua primeira actividade, visivelmente assinaladas no próprio nome da instituição.
Em
Maio de 1974 o CIDAC procurou responder à ansiedade do público em informar-se
e conhecer melhor as questões relativas à colonização portuguesa em África,
à guerra colonial, às lutas de libertação nacional e ao processo de
descolonização que se iniciava. O primeiro núcleo documental provinha do
trabalho de recolha efectuado pelo chamado “Grupo do BAC [Boletim
Anti-Colonial]” que, nas difíceis condições impostas pelo regime anterior
ao 25 de Abril, tinha como objectivo sistematizar e divulgar as realidades das
colónias portuguesas, as aspirações dos seus povos e as propostas dos seus
dirigentes. Esta informação era considerada um contributo imprescindível para
que os cidadãos portugueses pudessem exercer o que hoje chamaríamos uma
“cidadania activa e responsável”. A parte do acervo correspondente a este
período foi exaustivamente tratada em 2000/2001, passando a estar desde então
acessível para consulta. Em Dezembro de 2002 registava 1.397 entradas bibliográficas.
A
partir da proclamação das independências dos novos países de língua oficial
portuguesa, a atenção do público focalizou-se no acompanhamento dos
respectivos processos de reconstrução nacional, pelo que o CIDAC optou por
especializar o Centro de Documentação em duas áreas específicas e
complementares: as realidades dos PALOP, em todas as suas vertentes e as relações
entre Portugal e esses países. Coligindo monografias, documentação cinzenta,
publicações periódicas, recortes da imprensa portuguesa e materiais
audio-visuais, o Centro de Documentação foi, ao longo dos últimos 29 anos,
disponibilizando esta informação através de um serviço público que inclui
leitura de presença, empréstimo domiciliário, facilidades de reprodução,
pesquisa bibliográfica por encomenda e aluguer de exposições temáticas.
Informatizada na década de 80 a parte correspondente às monografias e à
documentação cinzenta, a respectiva Base de Dados tinha 5.735 registos
bibliográficos em Dezembro de 2002. Os títulos das publicações periódicas,
num total de 1050, estão também informatizados.
Ao
longo dos anos 90 foram surgindo necessidades especais de grupos de utilizadores
ou do próprio CIDAC, que levaram à criação de outros núcleos documentais:
um relativo às minorias africanas em Portugal (292 registos bibliográficos no
final de 2002), um segundo sobre as literaturas dos PALOP e a literatura
portuguesa relacionada com esses países (7.561 entradas bibliográficas na
mesma altura) e um terceiro respeitante a matérias do âmbito da Educação
para o Desenvolvimento - área de intervenção na qual o CIDAC se tem
distinguido (910 registos bibliográficos).
Em
2001 o CIDAC celebrou com a Câmara Municipal de Lisboa um Protocolo através do
qual lhe era por esta cedido, por um período, renovável, de 30 anos, um imóvel
camarário situado no centro de Lisboa (Rua Tomás Ribeiro, às Picoas). Dado o
estado de degradação do edifício, foi necessário proceder à sua demolição
(com excepção da fachada principal) e posterior reconstrução. Uma vez
terminadas as obras, cujo termo está condicionado pela angariação de fundos
suficiente à sua cabal concretização, dois dos pisos serão destinados à
instalação do futuro “Centro de Recursos para o Desenvolvimento”. Assim
surgiu a oportunidade de transformar o actual Centro de Documentação numa
proposta de muito maior alcance e responsabilidade, que marcará os próximos
anos de actividade do CIDAC.
|