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MAIS UM MESTRE ANGOLANO EM CIÊNCIAS POLÍTICAS DEFENDE
TESE EM UNIVERSIDADE PÚBLICA DO BRASIL
Depois
de 9
anos como
estudante no Brasil, Francisco José João da Cruz concluiu o mestrado em
Ciências Políticas
no passado
dia 29 de Setembro de 2006, pela Universidade Federal do Estado do Rio
de Janeiro, com
a defesa da tese "A Construção de
Estado-Nação em Angola". A dissertação, orientada pelo prof. Dr. Antonio
Celso, um eminente catedrático do
Brasil naquela universidade, busca compreender as causas que
adiaram o processo da construção de uma soberania plena do Estado
Angolano dentro dos 30 anos de sua independência da ocupação colonial.
Considerando a independência como um
marco inaugural que apenas determinou, para os países colonizados, o
processo da construção de uma
identidade nacional objetiva e de uma concepção de contrato social, isto
é, de modelo político-econômico, na sua dissertação Francisco Cruz
considerou o fracasso dos vários acordos políticos entre os vários
grupos que lutaram pela independência de Angola, antes e depois da
independência, como a causa primeira do fracasso de Angola em
constituir-se como Estado-Nação.
Para determinar o grau de consciência que os
angolanos possuem sobre a qualidade da soberania nacional e a implicação
dessa consciência na construção de um Estado-Nação, pela via do
reconhecimento dos direitos civis e da responsabilidade pública e
cidadã, a pesquisa entrevistou mais de 1200 cidadãos angolanos, de
diferentes camadas sociais e inclinação ideológica, todos residentes ou
em passagem pela cidade do Rio de Janeiro.
Cruz
defendeu que além de inviabilizar a unidade nacional, o fracasso dos
angolanos em cumprir acordos construídos no campo do entendimento
político produziu um falso imaginário que levou o povo angolano a
aceitar passivamente a guerra civil defendida e promovida pela classe
política como o caminho para a consolidação do Estado Nacional. Na
verdade, estabelece a dissertação, a aceitação e tolerância da guerra
civil pelas massas populares levou a uma fragmentação do tecido social,
étnico e político que adiou ainda mais o processo de reconstrução
nacional.
Indicando uma série de conseqüências do
processo político-militar resultado dessa "traição do entendimento
nacional" pró e pós-independência, tais como a longa auto-imposição do
monopartidarismo alinhado ideologicamente, a fragilização da
institucionalidade pública, a irrupção de uma corrupção que reinventa e
controla a burocracia estatal e as relações sociais de poder, bem
como a dificuldade em constituir os verdadeiros pressupostos da
democracia e do Estado de direito, a dissertação analisa as implicações
socioeconômicas da atual situação de Angola, à luz do desafio das
políticas públicas e da reconstrução para o desenvolvimento e a unidade
nacional.
Angolanistas congratula-se e parabeniza o
novo mestre angolano por essa importante conquista e trabalho de
pesquisa prestado ao país e ao seu povo.
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